A nossa agenda | AGOSTO 2022

AMÁLIA MULHER

AMÁLIA MULHER

EXPOSIÇÃO TEMPORÁRIA

AMÁLIA MULHER

Até 14 de agosto 2022

Quando fizerem a minha história e eu já não for viva para dizer como foi, então é que se vão fartar de inventar. (…) O que me irrita é a mentira. Mas sei que a minha história vai ser aquela que escolherem, aquela que é a mais interessante, aquela que não é a minha. -  Amália Rodrigues

 

A exposição “Amália Mulher” apresenta pela primeira vez em S. João da Madeira cerca de uma centena de chapéus, sapatos, vestidos e outros acessórios de moda da fadista e pertença da Fundação Amália Rodrigues. Ilumina-se o lado mais privado da sua vida, os objetos pessoais que deixou e que tão bem espelham a sua sensibilidade e a visão que tinha de si mesma.

A 23 de julho de 1920 nasceu Amália Rodrigues, nome maior do Fado português. Aos vinte anos, depois de se estrear como fadista profissional no Retiro da Severa, Amália atuou em diversos retiros de fado, onde inventa a fadista vestida totalmente de negro, posicionada à frente dos guitarristas e atuando com as mãos juntas em forma de oração. Tornou-se atração do teatro de revista e recebeu o prémio “Melhor Actriz de Cinema”.

De forma harmoniosa, conseguiu conjugar a sua faceta de imponente Diva dos palcos com o seu lado de Mulher humilde e profundamente religiosa. Nos anos 50, revelou-se uma Mulher independente. Divorciada, usava calças, fumava, divertia-se como bem lhe aprazia, ignorava as más-línguas… sentia-se bem na sua pele. Mulher de fortes convicções, Amália tinha perfeita noção do seu estatuto de lenda viva.

Amália tinha uma maneira de estar na moda muito própria, uma imagem única que ajudou a que a elevassem a "Rainha de Portugal". De cabelo sempre arranjado, na maquilhagem não dispensava as sobrancelhas bem definidas e marcadas, acompanhadas de eyeliner preto e um distinto batom vermelho.

Ícone internacional da história do Fado, Amália apresenta-se por todo o mundo levando consigo o nome de Portugal. Na sua voz ímpar cantou o amor como ninguém, mas mais do que isso cantou a dor, a mágoa e a saudade. Dizia-se que nela carregava o choro e a alma do seu país. Muitos acreditam que foi a sua voz que elevou o Fado a Património da Humanidade.

Mas Amália foi mais do que o seu Fado. Foi arte, política, religião e beleza…

Em 1999, por vontade da própria, foi criada a Fundação Amália Rodrigues que reúne o espólio pessoal e artístico da fadista. Em 2022, no rescaldo das celebrações do centenário do seu nascimento foi assinado um protocolo de parceria entre o Município de S. João da Madeira e a Fundação Amália Rodrigues, que inaugura um período de celebração à vida e obra da fadista no Museu da Chapelaria e no Museu do Calçado.